O balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) foi apresentado esta Segunda-feira no Museu da Moeda pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira.O crescimento da dívida explica-se sobretudo pelas emissões de Eurobonds, disse o responsável, sublinhando que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro. Transportes e energia estão entre os sectores que mais consomem financiamento.Do total, a dívida externa representava 50,91 mil milhões de dólares, mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dívida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares.O endividamento líquido executado no semestre, no valor de 4.327,1 mil milhões de kwanzas, excedeu em 5,2 por cento o limite programado no PAE, um desvio de 214,7 mil milhões de kwanzas que Dorivaldo Teixeira desvalorizou, já que deverá ser absorvido com as amortizações do segundo semestre.As tensões geopolíticas, nomeadamente a guerra no Irão, provocaram aumentos na cotação do petróleo, principal produto de exportação angolano, fazendo subir o preço por barril, mas os ganhos foram limitados por constrangimentos na produção.Ainda assim, a escalada dos preços no mercado petrolífero aliada à diminuição da percepção do risco, beneficiou a dívida angolana nos mercados externos, permitindo ao Estado refinanciar-se a taxas mais favoráveis do que nos últimos anos.Angola regressou em Março ao mercado internacional de capitais e voltou a emitir em Maio, mobilizando cerca de quatro mil milhões de dólares em Eurobonds — 2,5 mil milhões na primeira operação e 1,5 mil milhões na segunda, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, na sessão de abertura.As operações incluíram a recompra antecipada de obrigações no valor total de 1,2 mil milhões de dólares, para aliviar a concentração de amortizações em 2028 e 2029, acrescentou.No semestre, as emissões e desembolsos totalizaram 9,9 mil biliões de kwanzas e as amortizações efectivas 5,6 biliões milhões de kwanzas.Já a dívida garantida por petróleo recuou de 7,37 mil milhões de dólares no final de 2025 para 6,83 mil milhões em Junho, destacou o governante, para quem “a sustentabilidade das finanças públicas não pode depender de forma permanente da evolução de uma única matéria-prima”.Ottoniel dos Santos advertiu, porém, que o peso do serviço da dívida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental, afirmando que o trabalho deve continuar “sem triunfalismos”.





