BNA reduz taxa de juro de 17 para 15,75 por cento

O Banco Nacional de Angola (BNA) reduziu a taxa básica de juro da economia nacional, conhecida por Taxa BNA, de 17,00 para 15,75 por cento, uma decisão fundamentada na desaceleração consistente da inflação. A decisão foi tomada durante a 130.ª Reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada nos dias 13 e 14 de Julho, na província de Malanje. O encontro serviu para avaliar a evolução recente da economia nacional e internacional, bem como as perspectivas macroeconómicas e os riscos para a estabilidade de preços. No âmbito das deliberações, o Comité reduziu, igualmente, a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18,00 para 16,75 por cento e a da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 16,00 para 14,75 por cento. De acordo com o comunicado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,32 por cento no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo desempenho do sector não petrolífero, que registou um crescimento de 6,22 por cento. Em sentido contrário, o sector petrolífero contraiu 0,21 por cento. Segundo o BNA, esta evolução está em linha com as estimativas baseadas no indicador mensal de actividade económica, que aponta para um crescimento acumulado de 4,09 por cento no primeiro semestre de 2026. O sector não petrolífero destacou-se novamente, ao registar uma expansão de 4,40 por cento. O comunicado refere ainda que a taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52 por cento em Junho de 2026, abaixo dos 0,53 por cento registados em Maio, reflectindo a desaceleração dos preços da classe de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas, que passaram de 0,68 para 0,64 por cento, apesar dos ajustamentos de 5,00 por cento no preço do gasóleo e de 10,00 por cento nas tarifas da electricidade. A taxa de inflação homóloga manteve igualmente a trajectória descendente, situando-se em 10,11 por cento. A desaceleração foi observada em todo o território nacional, com dez províncias a registarem taxas de inflação de um dígito. O destaque vai para o Huambo, Lunda-Norte, Cunene e Cuanza-Norte, que registaram taxas de 7,53, 7,65, 7,75 e 7,88 por cento, respectivamente. A província de Luanda registou igualmente uma taxa de inflação de um dígito, fixando-se em 9,96 por cento.
A dívida governamental angolana aumentou 9,12 por cento no primeiro semestre, face a Dezembro do ano passado, para 72 mil milhões de dólares, segundo dados apresentados esta Segunda-feira em Luanda

O balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) foi apresentado esta Segunda-feira no Museu da Moeda pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira.O crescimento da dívida explica-se sobretudo pelas emissões de Eurobonds, disse o responsável, sublinhando que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro. Transportes e energia estão entre os sectores que mais consomem financiamento.Do total, a dívida externa representava 50,91 mil milhões de dólares, mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dívida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares.O endividamento líquido executado no semestre, no valor de 4.327,1 mil milhões de kwanzas, excedeu em 5,2 por cento o limite programado no PAE, um desvio de 214,7 mil milhões de kwanzas que Dorivaldo Teixeira desvalorizou, já que deverá ser absorvido com as amortizações do segundo semestre.As tensões geopolíticas, nomeadamente a guerra no Irão, provocaram aumentos na cotação do petróleo, principal produto de exportação angolano, fazendo subir o preço por barril, mas os ganhos foram limitados por constrangimentos na produção.Ainda assim, a escalada dos preços no mercado petrolífero aliada à diminuição da percepção do risco, beneficiou a dívida angolana nos mercados externos, permitindo ao Estado refinanciar-se a taxas mais favoráveis do que nos últimos anos.Angola regressou em Março ao mercado internacional de capitais e voltou a emitir em Maio, mobilizando cerca de quatro mil milhões de dólares em Eurobonds — 2,5 mil milhões na primeira operação e 1,5 mil milhões na segunda, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, na sessão de abertura.As operações incluíram a recompra antecipada de obrigações no valor total de 1,2 mil milhões de dólares, para aliviar a concentração de amortizações em 2028 e 2029, acrescentou.No semestre, as emissões e desembolsos totalizaram 9,9 mil biliões de kwanzas e as amortizações efectivas 5,6 biliões milhões de kwanzas.Já a dívida garantida por petróleo recuou de 7,37 mil milhões de dólares no final de 2025 para 6,83 mil milhões em Junho, destacou o governante, para quem “a sustentabilidade das finanças públicas não pode depender de forma permanente da evolução de uma única matéria-prima”.Ottoniel dos Santos advertiu, porém, que o peso do serviço da dívida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental, afirmando que o trabalho deve continuar “sem triunfalismos”.



